terça-feira, 21 de novembro de 2017

Congelamento da coerência

Há de facto uma tensão entre o discurso de que as medidas de austeridade do anterior governo eram desnecessárias, e ser contra a correção retroativa das carreiras com base nos anos em que estiveram congeladas. Claro que se podem sempre adiantar racionalizações para mitigar a tensão - por exemplo, dizer que o congelamento das carreiras não fazia parte do pacote de austeridade considerada excessiva, ou alegar que com base nos congelamentos, algumas pessoas decidiram sair da função pública e que seria agora injusto alterar as regras do jogo agora. Mas essas explicações são parciais e até um bocado forçadas. O pragmatismo parece-me ser a única solução para isto, mas não nos iludamos: esse pragmatismo, sendo provavelmente necessário, não é coerente.

sábado, 18 de novembro de 2017

O Cardeal progressista

“(…) [D]esaconselhar vivamente, para não dizer proibir, que um jovem que manifeste essa orientação homossexual ingresse no seminário, porque isso será, para ele e para o que vier a seguir, seria sempre muito melindroso”. Estas são as exactas palavras proferidas pelo Sr. Cardeal-Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal, no encerramento da Assembleia dos Bispos Portugueses e que têm causado alguma polémica. Questionado sobre a afirmação transcrita, no sentido de, implicando a vida sacerdotal a castidade obrigatória, qual o interesse em indagar da orientação sexual do candidato a seminarista, aquele prelado respondeu: “Se a pessoa tem uma orientação forte nesse sentido, enfim, é melhor não criar a ocasião…”.
Uma declaração de interesses: considero-me uma pessoa cristã, mas há já alguns anos, por discordar de várias posições defendidas pela Igreja (entre outras, voto de castidade obrigatório, proibição do acesso das mulheres ao sacerdócio, uso de métodos anticoncepcionais não naturais), não posso dizer-me católico. Para mim, não existe a categoria de “católico não praticante”, nem defendo religiões “take away”. Isto dito, as declarações do “Prémio Pessoa” 2009 causam-me grande perplexidade.
Compreendo que, em função de várias passagens da Bíblia, sobretudo do Antigo Testamento, a Igreja Católica não possa reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas um discurso discriminatório não cabe na infinita misericórdia divina com que Cristo sempre se apresentou. Aliás, foi sempre nas margens da sociedade, de entre os mais ostracizados, que Deus feito Homem gostou de estar. Daí que, julgo, estas declarações colidem com a linha de orientação do Papa Francisco. “Quem sou eu para condenar um homossexual?”, respondia o Romano Pontífice a uma pergunta de um jornalista nas habituais conversas no avião papal.
O Catecismo da Igreja Católica, repositório da sua “doutrina oficial”, defende a integração dos homossexuais nas comunidades crentes, pugnando por uma compaixão quanto àqueles que considera sofrerem com essa orientação, concedendo que possam intervir como leigos, desde que renunciem à prática de relações sexuais. Em comparação necessariamente caricatural: é como dizer a um portista que pode vir a uma reunião de benfiquistas, desde que passe despercebido. Na verdade, convenhamos, uma posição que alguns entendem de equilíbrio, mas que tenho por hipócrita.
Como pouco séria foi a resposta de D. Manuel Clemente à pertinentíssima pergunta da jornalista: se para se ser padre se assume voto de castidade, qual o relevo da orientação sexual? “É melhor não criar a ocasião…”. Mas que ocasião? Se o Sr. Cardeal se referia à possibilidade de a carne ceder à tentação, eu e tantos outros conhecemos casos de sacerdotes que mantêm relações amorosas com mulheres, perante uma quase indiferença das comunidades em que se inserem. E então a castidade, afinal, existe ou não? Sabemos que D. Manuel Clemente defende a manutenção do status quo, mas também não se ignora que os discípulos de Cristo foram casados e que esta regra resulta da Tradição e não propriamente de imposições evangélicas. Aliás, quantos Papas não tiveram filhos?
Outro aspecto: os candidatos ao sacerdócio devem ser sujeitos a um escrutínio para detectar traços de homossexualidade, pedofilia ou doença mental. As duas últimas merecem o aplauso de todos. O mesmo se não dirá quanto ao seu alinhamento – o modo como surgem enunciadas coloca tudo no mesmo saco, como se todos os homossexuais fossem pedófilos e/ou doentes mentais. O DSM, uma espécie de manual de diagnóstico das doenças psiquiátricas da Associação Americana de Psiquiatria, retirou a homossexualidade do seu “Index Librorum Prohibitorum” em 1973, mas a OMS só deixou de a considerar parte da “lista internacional de doenças” em 1990. E este é um dado relevante: o que disse e a forma como o fez, levam quem escutou D. Manuel a associar a orientação sexual em causa com o abuso sexual de crianças ou delitos próximos (uma vez que a “pedofilia”, como tal, não é nenhum tipo legal de crime). Ora, essa é uma extrapolação inaceitável. Também existem sacerdotes que mantêm relações sexuais com raparigas menores. Por certo que manter a posição de que às mulheres está vedado o sacerdócio, para usar a mesma expressão do Sr. Cardeal, também pode, em tese, “criar a ocasião”, num ambiente marcadamente masculino, para mais não se ignorando que a sexualidade humana é feita de muitos cinzas, havendo estudos científicos que demonstram uma certa propensão para a bissexualidade da espécie humana, que depois se desenvolve em diferentes direcções em função, de entre outros, de caracteres sociais, culturais ou de pertença a certos grupos de referência.
Gostaria de saber o que responderia D. Manuel Clemente a um jovem que se sente profundamente chamado por Cristo a servir a Igreja, mas que também é homossexual e está disposto a cumprir o celibato. Um chamamento tão belo e que poderia conduzir a um sacerdote esforçado em ser um exemplo terreno de Cristo. “Filho, aqui entre nós, nos testes que faremos, finge que gostas de mulheres!”. "Don’t ask, don’t tell".

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Comida má

Esta semana que passou, o país ficou chocado com uma lagarta espevitadinha a fazer maratona num prato servido a uma aluna numa escola em Braga. A presença da lagarta era comprovativo de que a comida era má, mas julgo conveniente discutir o que é comida má. A presença da lagarta demonstra que a alface não foi tratada com pesticidas. Entre uma alface produzida por métodos convencionais e outra por métodos biológicos, qual é a mais cara e a que os consumidores preferem?

Com isto não estou a dizer que a comida não seja má, mas é necessário levar a discussão noutra direcção, como, por exemplo, a questão da higiene. Não parece que quem preparou a alface a tenha lavado em condições e, nesse caso, há o risco de as crianças serem expostas a bactérias, como e. coli ou salmonela, que causam envenenamento alimentar. Aliás, seria conveniente que alguém se certificasse que os empregados dos refeitórios em Portugal estão devidamente treinados e sensibilizados para as questões de higiene, até porque o público que servem -- as crianças -- ainda estão em desenvolvimento e estão mais susceptíveis a doenças deste foro.

Já agora, que tal um jornalista investigar se os refeitórios obedecem aos princípios do HACCP? Se não sabem o que é o HACCP, então leiam aqui.

E reparem que mesmo um prato com um aspecto delicioso pode estar contaminado e a comida ser má.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Chuta para a frente...

Desorçamentação e adiamento de efeitos orçamentais: não era essa a política do PS com Sócrates?

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Acasos

Calhou passear os meus cães à mesma hora que a K. batia à porta da J., que não estava: tinha ido a Austin visitar a filha e, entretanto, eu tinha ficado encarregada de apanhar o jornal e o correio. Forneci a informação e, perante a pena da K., prestes a partir para o Japão para ir assistir a umas workshops de manufactura artesanal de papel, comprometi-me a informar a J. do desencontro e cheguei mesmo a enviar uma mensagem pelo Facebook à K. a dizer que a mensagem tinha sido entregue. Pode-se dizer que levo a sério as minhas actividades de pomba-correio. Depois disso encontrei a K. ocasionalmente nos mais de dois anos que passaram. Não sei se, fora do contexto dos amigos comuns, seríamos capazes de nos reconhecer.

domingo, 12 de novembro de 2017

“Perdoa-me”: regressa que estás perdoado!

Se um qualquer extraterrestre tivesse recentemente chegado a Portugal, e tendo adquirido alguns conhecimentos televisivos, concluiria que o país se transformou num imenso “Perdoa-me”. O famoso programa da SIC, de 1994, veio para ficar.
O Presidente da República pede desculpas aos Portugueses pelas falhas do Estado nos incêndios e no apoio às vítimas; relembra que ele é uma pessoa e, indirectamente, pede desculpas pelo Primeiro-Ministro. Este, apertado, na Assembleia, responde que se querem que ele peça desculpa, pois ele pede. Não lhe caem os parentes na lama por isso! Mais tarde, revela dificuldades em lidar com as emoções e faz um público acto de contrição. O ex-Secretário de Estado da Administração Interna, à saída da cerimónia de tomada de posse de quem o substituiu, manifesta o velho sentimento judaico-cristão da culpa e quase me deu vontade de organizar um “crowdfunding” para lhe pagar sessões de psicoterapia. O Ministro da Defesa e as mais altas chefias militares, directa ou indirectamente, também já haviam feito um “mea culpa” a propósito de Tancos. Antes, Passos Coelho mostrava-se desolado pelo desencontro de informação que o fez julgar morto por suicídio quem afinal estava vivo.
Apetece pedir desculpa pela vergonha da desculpa alheia. Como se as funções de soberania do Estado, esteio de um qualquer país que efectivamente o seja, quando estrepitosamente incumpridas, se bastassem com desculpas, sentidas ou “para a fotografia”. Como se não urgisse apurar responsabilidades e colocar no terreno soluções há muito conhecidas.
E os Portugueses, perdoam? Diz-se que temos um coração grande e hospitaleiro, mas amiúde escutamos que “cá se fazem, cá se pagam”. Costa, a tudo isto, parece sair pouco chamuscado (trocadilho bem apropriado, mas pelo qual peço desde já desculpa). Bem vistas as coisas, quem pede desculpa é porque assume responsabilidade, bastando reflectir sobre o étimo da palavra. Desculpas pedidas, “segue a banda”. Um Presidente mais vigilante – algo esperado quando dobrada a primeira parte da legislatura –, que distribui abraços e beijos, espantando-se como este contacto com o Povo não lhe provoca a conhecida hipocondria, que falou grosso e demitiu a Ministra e que quer ver resultados no terreno, onde já marcou Natal e passagem de ano.
Se a moda pega, então todas as falhas nos diversos sectores da sociedade resolvem-se com um simples pedido de desculpa. Sem mais. Mantendo-se os empregos e não se respondendo civil, penal ou disciplinarmente. Eu e tantos Colegas perderíamos o emprego e os que restassem ter-se-iam de acomodar a pouco ou nada exigir dos estudantes, dada a prévia existência de uma “causa de antecipada atipicidade” em que a desculpa se vai transformando.
Revelador, tudo isto, se não fosse trágico, de um imenso sentido de humor de todos nós, de um “nacional-porreirismo bué da fixe”. Sobretudo, de um “enfraquecimento ósseo” da sociedade portuguesa, que parece compactuar com os coitados que, Judas ou Maria Madalenas, se mostram arrependidos e prontos a cumprir penitência. Ou melhor, a penitência é um extra não exigível. Sinal de uma débil sociedade civil, amorfa, a aproveitar uma certa melhoria económica que sabemos não ser consistente e duradoira. A coisa vai melhorzinha, e se assim vai, para quê aborrecermo-nos a pensar em profundidade os problemas e o que queremos exigir de quem ocupa funções de soberania?
Aproveitemos, pois, os milagres do Outono das nossas desculpas, com simpáticos raios de sol, e vivamos na certeza de que nada de mau se não resolve com um imenso palco onde surjamos entristecidos pelo erro – que, felizmente, todos cometemos –, mas sem disso retirarmos consequências.
À Administração da SIC: não será altura de pensarem em exigir judicialmente direitos de autor a estes personagens? Ou de montarem, p. ex. no Terreiro do Paço, uma nova temporada do “Perdoa-me”, em directo e com montes de turistas a assistir? Podia ser uma nova e brilhante ideia que, vá-se lá saber porquê, não constou da “Web Summit”… Se constou e eu não soube, ficam desde já as minhas desculpas.

"Web Summit Dinner with the Dead"

Não percebo tanta polémica em torno do Panteão.
Teófilo Braga, Amália, Eusébio ou Sophia podiam era ter feito uso dos seus dotes e animar aqueles senhores tão importantes.
E não consta que o barulho incomode os mortos.
Se estas luminárias gostam de comer "bacalao" por entre túmulos, isso é lá com elas. Lembrei-me de Hannibal Lecter...
E sempre entram uns tostões para efeitos de défice. Se aqueles mortos, assim como assim, mesmo não comendo, só dão despesa, porque não amortizá-la?
O Paddy é que sabe: é tudo uma questão de cultura e para estas mentes brilhantes é "very typical" uma coisa assim. Para que conste, também já jantei no Museu Soares dos Reis. É certo que não havia mortos e que se discutia o futuro da arquitectura das cidades. Mas, mesmo assim, será que também tenho de pedir desculpas?
E a lata desta gente que culpa a legislação que em lado algum obriga a que o arrendamento se faça e que até contém uma norma que facilmente poderia impedir o dito evento?
Mais um episódio deste imenso "Perdoa-me" em que o país está transformado.
Já estou a imaginar a Amália toda contente a sair da tumba e a dizer "obrigado, obrigado, batam palminhas", com aquela voz de bagaço que a caracterizava já para o final da vida e com a cabeça para trás e os braços estendidos a agradecer que gente tão "cool" lhe tenha vindo animar "uma estranha forma de vida" tão chata...

A vergonha maior

Independentemente do que se possa achar de jantares no Panteão, devia ser consensual que um líder do governo português tem de trabalhar para salvaguardar a boa reputação do país, especialmente quando os portugueses passaram ndurante a última década por dificuldades e humilhações a nível internacional. Realizar a Web Summit em Lisboa foi vendido aos portugueses como uma oportunidade de dinamizar o país e de o colocar mais próximo da vanguarda da inovação tecnológica. Se realmente será isso, ainda é cedo para saber; mas o que devia ser óbvio é que todas as oportunidade têm os seus riscos e estes têm de ser geridos e idealmente minimizados.

O jantar no Panteão demonstrou-nos que um evento que não tem nada a ver com os objectivos iniciais da Web Summit é o suficiente para mostrar ao mundo que Portugal não se governa, desgoverna-se. Caberia ao Primeiro Ministro, face às reacções viscerais ao jantar, assegurar aos portugueses que apesar do descontentamento, ir-se-ia ter mais cuidado no futuro não só no Panteão, mas com outros monumentos, e que o importante era que a Web Summit tinha corrido bem e que tínhamos de continuar a dar ao mundo uma imagem de profissionalismo e capacidade de lidar com situações menos agradáveis.

Em vez de um discurso apartidário, que realinhasse os ânimos dos portugueses para o interesse maior de levar Portugal ao mundo, preferencialmente de uma forma positiva -- afinal não é isso o que fizeram as pessoas cujo corpo descansa agora no Panteão? --, o Primeiro Ministro serviu-nos um discurso divisivo, em que demonstra que continua a colocar os interesses do seu partido à frente dos interesses do país. E ainda temos o Paddy Cosgrave, da Web Summit, a pedir desculpa no Twitter e a dizer que na Irlanda a relação dos mortos com os vivos é diferente e que não tinha feito por mal.

Concluindo, demos a impressão ao mundo de que somos um povo incapaz de gerir o nosso património cultural, desconhecemos a nossa própria lei, e somos intolerantes dos costumes de pessoas de culturas diferentes; tudo isto depois de gastarmos milhares de euros a tentar atrair estrangeiros para Portugal. Julgo que não era esta a imagem que queríamos cultivar e é uma vergonha que tenhamos deixado a situação chegar a este ponto -- os nossos mortos do Panteão mereciam melhor.

sábado, 11 de novembro de 2017

Reconhecimento

A Alemanha vai reconhecer a existência de um terceiro género. Pelo contrário, nunca reconheceu a RDA.

Competências

A Suzy Menkes, jornalista de moda da Vogue, foi à WebSummit e o Mauro Gonçalves entrevistou-a para o Observador. Para além de falar nos efeitos ambientais da moda, que é a segunda indústria mais poluidora do mundo, a seguir à do petróleo, houve uma parte da conversa que achei bastante interessante e que foi sobre o futuro da indústria. Eventualmente, os consumidores terão de se sensibilizar de que roupa barata não é uma coisa que dure indefinidamente e terá de haver uma mudança nas suas preferências, no sentido de as pessoas valorizarem mais a qualidade e os aspectos intemporais das peças, que permitam que elas durem mais do que uma estação -- falo em estação, mas isso hoje em dia já nem faz sentido, pois há um fluxo constante de produto para as lojas. Este futuro inevitável intersecta bem com o potencial de Portugal, como podem ler neste excerto da entrevista:


Nos últimos meses tem tido oportunidade de conhecer o trabalho de vários designers portugueses. Quais as primeiras impressões?
Esta conferência não vai ser sobre a moda portuguesa nem sobre o rumo que ela está a tomar. É claro que tenho muito interesse em ver o que está a ser feito cá e por isso ainda quero voltar. Fiquei bastante impressionada com o que vi. Achei que a qualidade dos tecidos, especialmente das malhas, é excecional, de um nível que não se encontra, sobretudo na Europa. Parece-me que mantiveram várias técnicas que a maioria das pessoas já deixou de fazer. E há um grande sentido de cor. A minha teoria é de que isso vem dos azulejos, porque eles são tão bonitos. Para mim são simplesmente mágicos. Acho que nenhum designer em Portugal quer realmente falar deles porque os vêem todos os dias, mas há algo daquelas cores e formas que faz parte do espírito de algumas peças.

Fonte: Suzy Menkes em entrevista a Mauro Gonçalves para o Observador

Apesar de a visita ser curta, a qualidade da manufactura têxtil portuguesa sobressaiu e impressionou a Suzy, que acha que o know-how português é superior ao de outros países europeus. As técnicas também fazem parte da riqueza nacional e seria importante que não fossem perdidas para sempre, pois se isso acontecer perdemos uma vantagem competitiva que temos em relação a outros países. Este é um ponto que já aqui tenho feito várias vezes, pois frequentemente encontro nos EUA referências a tecidos portugueses. Espero que haja alguém minimamente competente que tenha noção do que o país tem e que este legado não se perca de vez.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Maria Emília Brederode Santos

A presidência do Conselho Nacional de Educação (CNE) é, desde ontem, de Maria Emília Brederode Santos, eleita pela Assembleia da República há semanas. O Conselho Nacional da Educação é, em teoria, um importante órgão na estrutura da educação do país, ainda que, sendo consultivo, apenas tem um poder de influência e não de decisão. Ao longo dos seus trinta anos de existência o CNE tem cumprido a sua missão e as diferentes presidências podem considerar-se positivas.

A eleição de Maria Emília Brederode Santos é uma boa notícia. Sendo uma das expatriadas que regressou a Portugal depois do 25 de Abril, com uma licenciatura em ciências da educação pela Universidade de Genebra, tem tido desde então actividade relevante, quer colaborando na esfera do Ministério da Educação (presidente do Instituto de Inovação Educacional entre 1997 e 2002 e seu representante em conferências internacionais) quer em outras iniciativas (e entre elas relevo a direcção pedagógica da versão portuguesa da “Sesame Street”, transmitida pela RTP).

A Maria Emília tem, da educação, uma visão humanista, sobressaindo no seu currículo um interesse persistente pela arte: foi presidente da Associação Portuguesa e Intervenção Artística e de Educação pela Arte e de um Grupo Interministerial para o Ensino Artístico, em meados da década de 90, e participou na avaliação de uma das mais interessantes experiências que remonta ao tempo de Veiga Simão, a Escola Superior de Educação pela Arte, da qual resultou um livro publicado pelo Instituto de Inovação Educacional em 1994.

Aguardo com expectativa a acção da nova Presidente do CNE, confiando na sua capacidade de, sempre discreta, saber encontrar os consensos necessários numa altura em que se pretende que exista um salto qualitativo na educação em Portugal. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Não sei o que pensar


A última pessoa a ser acusada de ataques sexuais é o Jeremy Piven. Digo pessoa, mas até agora só tenho conhecimento de terem sido acusados homens, mas de certeza que também há mulheres depravadas. Diz uma rapariga, a Tiffany Bacon Scourby, que Jeremy Piven a agrediu sexualmente num quarto de hotel na Trump Tower da seguinte maneira:

“I remember I was wearing this white ribbed turtle neck and brown slacks — business attire — and I was sitting right next to him on the couch,” Scourby says. “We were talking for about five minutes and he said he was waiting for his [publicist] to come with us.”

Suddenly, “he jumped on top of me. I tried to push him off and he forced me to the ground,” recalls Scourby, who says Piven exposed his genitals and began rubbing them against her body.

She says she remained clothed the entire 15 minutes of her time in his suite but “he held down my hands” and ejaculated “all over my white turtleneck.”


Fonte: People

Esta é uma de quatro mulheres que o acusam. Elas dizem que ele se expôs numa festa pedindo a uma para o ajudar a masturbar-se, que ele as apalpou, e que fez qualquer coisa a uma rapariga enquanto ela ainda era menor. Acho que algumas destas descrições estão a entrar numa zona muito cinzenta: ele exibiu-se e pediu à rapariga para lhe tocar ou tocou em alguém. Isso não é o que fazem os casais quando a coisa começa a aquecer? Às vezes, ninguém chega a pedir. Há um que se começa a despir, ou dirige a mão do outro, ou começa a despir o outro. O caso da Tiffany parece mais sério, mas eu espero que ela tenha pelo menos guardado a camisola, se vai fazer uma acusação destas. O da rapariga ser menor também pode ser sério, mas é difícil julgar o que se passou sem saber o que se passou porque ela diz que ele sabe o que fez.

Adoro o Jeremy Piven, acho-o um homem lindíssimo, o que me pode toldar a análise porque nós estamos geneticamente programados para ser mais simpáticos para com as pessoas mais giras. É óbvio que não o conheço, logo não posso avaliar como é como pessoa. Ainda me lembro de gostar tanto dele que o meu marido me gravava coisas dele para eu ver, como aquela viagem que o Jeremy fez à Índia sobre yoga. (Ah, adenda: o yoga pode ser problemático. Se leram o livro do William J. Broad, sabem que o yoga promove o apetite sexual...)

Espero que haja alguém que tenha como provar que ele é realmente uma pessoa horrorosa porque não sei o que pensar e sei o que fiz. Por exemplo, uma vez, quando vivia na residência, uns amigos apareceram no meu quarto depois de eu tomar banho e eu, estando ainda de roupão, deixei-os entrar enquanto me secava e vestia. Eram rapazes e raparigas e não me senti em perigo, mas agora acho que, quem estava em perigo eram eles: despir-me à frente deles pode ter traumatizado alguém e, se calhar, até têm pesadelos.

Mensagem

Na Terça-feira, foi dia de eleições nos EUA. Há eleições todos os anos, mas as mais importantes são as presidenciais, que têm lugar cada quatro anos: as últimas foram em 2016, as próximas serão em 2020. As que ocorrem exactamente a meio do período entre eleições presidenciais também são importantes porque afectam o Congresso, dado que na Câmara dos Representantes o termo é de dois anos e no Senado de seis. Depois há também as eleições locais para eleger governadores, tenente-governadores, os representantes para os parlamentos dos estados, as cidades, os condados, os distritos escolares, juízes, xerifes, procuradores, etc. Mas de notar que nem todos os sítios têm o mesmo sistema.

Por exemplo, o Texas tem um sistema em que os juízes são eleitos e, para além disso, na eleição, estão associados a um partido político; mas há estados em que os juízes não são eleitos e também há estados em que são seleccionados por um sistema de eleições apartidário. Outro exemplo: o Texas tem um governador e um tenente-governador, mas há estados que só têm governador. É tudo muito confuso e sempre que mudamos de sítio, se queremos participar no processo democrático, temos de nos familiarizar com a forma como as coisas funcionam em cada local.

Para além de eleger pessoas, também votamos em assuntos. Se calhar já ouviram o termo "proposições". Uma das proposições mais famosas foi a chamada "Proposition 8" da Califórnia em 2008, que tinha o objectivo de banir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esta proposição, depois de muitas peripécias, acabou no Supremo Tribunal, dando uma vitória judicial, em 2013, aos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo. As proposições podem ser a nível do estado ou local, por exemplo, proposições de cidades. Aqui está uma imagem parcial do boletim de voto para a "precinct" a que pertenço:


Passámos o dia de ontem, Quarta-feira, a falar dos resultados das eleições e o consenso é que, como esperado, os Republicanos foram castigados e os Democratas tiveram melhor desempenho. É esperado porque quando há descontentamento com a liderança do país -- e há sempre -- o partido do Presidente costuma sofrer mais. Os resultados deram a vitória a dois governadores democratas: Nova Jérsia e Virgínia, ambos anteriormente liderados por republicanos. Para além disso, houve muitas mulheres, minorias étnicas, e pessoas associadas à comunidade LGBT, que ganharam eleições. No entanto, há que notar que os Democratas conseguiram mobilizar muitos eleitores para ir votar, mesmo em sítios onde estão em minoria.

Onde não há consenso nos resultados destas eleições é qual a mensagem para os derrotados. Há pessoas no GOP que acham que as eleições reflectem o falhanço de o Congresso não conseguir passar a legislação desejada por Donald Trump, ou seja, não se conseguir agradar à base do partido; e outras que acham que o mal é mesmo a base e devem tentar agradar ao meio e afastar-se de posições extremistas. Veremos se alguma coisa irá mudar ou se continuarão a divergir entre si...

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Super Mercados

Chamem-me estranho, mas uma das primeiras coisas que faço quando visito um país novo é entrar num supermercado. Acho que há poucas formas mais eficazes de ganhar conhecimento sobre um povo.  Quando me mudei pela primeira vez para Londres, em 2003, fui surpreendido por pequenos detalhes que achei particularmente úteis na minha introdução à cidade. 

Por um lado, é interessante ver como o espaço do supermercado está organizado.  A secção de refeições já preparadas, tipicamente para microondas, ocupa uma proporção muito significativa do supermercado. Estas refeições são, quase sempre, para uma pessoa só. Isto conta-nos toda uma história sobre a estrutura das relações laborais, sobre as ambições pessoais, sobre as opções familiares, e sobre a cultura alimentar. 

É interessante também ver como os preços relativos comparam com os portugueses. Na maioria dos supermercados, os chocolates e os refrigerantes são substancialmente mais baratos cá (diria que sensivelmente metade do preço). As frutas e os vegetais são muito mais caros, mesmo nos supermercados mais baratos. Isto por sua vez conta-nos uma história sobre a estrutura produtiva, sobre os custos de transporte, sobre o impacto do marketing na nação dos shopkeepers.

A estrutura de mercado do setor é também extremamente reveladora. A segmentação é clara e relativamente estanque. Na cadeia mais baixa de valor, há um conjunto de cadeias de supermercados que competem apenas no preço. O pior de todos é o Iceland, que se especializa em produtos congelados, e vende lagosta do Vietname a duas libras e pastéis de nata a uma libra cada caixa de seis. Mas há outros: o equivalente às lojas dos 300 vendem produtos alimentares de muito baixa qualidade, sem controlo efetivo. Acima destes, há o Asda, o Morrisons e o Aldi, que servem a classe média-baixa. Sempre que visitei qualquer um deles, achei a fruta intragável, e durou-me menos de dois dias no frigorífico. A carne é de muito baixa qualidade e mirra na frigideira. Mas os preços são incrivelmente baixos - tenho a certeza que mais baixos que os preços dos supermercados mais baratos em Portugal para a maioria dos produtos, apesar de as rendas e os salários serem incomparavelmente superiores. A seguir, há dois supermercados da classe média, o Tesco e o Sainsbury's. E até aqui há segmentação. O Tesco é o Continente e o Sainsbury's o Pingo Doce. O primeiro aposta no preço garantindo que a qualidade não desce abaixo da do segmento inferior. O Sainsbury's relaxa o preço e tem produtos com um pouco mais de qualidade. Depois, há o segmento da classe média-alta, onde concorrem o Waitrose e o Marks and Spencer. Produtos materialmente melhores que os do segmento médio, a preço muito mais elevado. Finalmente, há supermercados de luxo, como o Partridges e o Harrods, que servem os apetites dos bilionários. 

Uma estrutura tão diversificada e segmentada do mercado permite inferir vários elementos interessantes sobre a cidade. O primeiro é que, sendo tão ou mais desigual que a sociedade portuguesa, ao contrário desta a sociedade londrina tem gente que ocupa todo o espectro que vai entre os mais pobres dos mais pobres aos mais ricos dos mais ricos. A explicação para isto merecia um post em si mesmo. No entanto, a existência de uma distribuição ao longo da totalidade do intervalo de rendimentos faz com que haja espaço para uma estrutura muito segmentada de supermercados. Outro elemento interessante é o que é transversal a toda estes segmentos de negócio. Por exemplo, a significativa proporção ocupada por refeições já feitas, que referi no começo do post, é prevalente e relativamente semelhante nos cinco segmentos. O que varia é a qualidade dessas refeições. A qualidade que vai da lasanha do Iceland em embalagem branca a uma libra, à tagine do Harrods a doze libras servida em caixas próprias. O que é que isto nos diz? A falta de tempo - ou talvez interesse - para cozinhar, em todas as classes sociais, dá-nos pistas sobre a origem dos rendimentos da cidade, que são, maioritariamente, os do trabalho - por um lado, é possível aqui enriquecer com base no trabalho (já agora, claro que os mais ricos podem ter empregada interna a cozinhar, mas curiosamente tenho ideia de não ser nada comum); por outro, pouca gente, sendo bilionária com base em redimentos rentistas, escolhe ficar a viver em Londres. E também nos diz muito da cultura, estrutura familiar e sobre a relação das pessoas com a alimentação. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Inferno à Americana

Na semana que antecedeu o primeiro aniversário da eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA, Donna Brazile publicou um excerto do seu novo livro na revista “Politico”.  Brazile , que foi a presidente temporária do Comité Nacional do Partido Democrata (Democratic National Committee, DNC) americano, demitiu-se como comentadora habitual da CNN, em Março passado, depois de se descobrir, em fugas da Wikileaks, que tinha informado a campanha de Hillary Clinton dos tópicos das perguntas que seriam abordados no debate de Hillary Clinton com Bernie Sanders durante das primárias dos Democratas.

No novo livro, Brazile insinua que a campanha de Hillary Clinton pecava por ser bastante mal organizada e por ter feito um acordo com o Comité Nacional do Partido Democrata para captar os fundos do partido em benefício da própria campanha, diminuindo assim a probabilidade de Bernie Sanders ganhar as eleições primárias dos Democratas. A motivação para esta investigação de Brazile foi uma promessa que fez a Bernie Sanders de tentar descortinar o que se tinha passado durante a campanha das primárias que o tivesse prejudicado. Note-se que a própria assume que nada do que foi feito pela campanha de Clinton tinha sido ilegal; apenas parecia ser uma falta de ética. Convenhamos que Brazile é especialista em falta de ética.

Aos que criticam Brazile pelas revelações do seu livro, que, dizem os seus críticos, não adiantam nada a não ser dividir os Democratas, ela oferece um conselho: “vão para o inferno!” Quem parece estar contente é o Presidente Trump que, num tweet na Sexta-feira, proferiu “A verdadeira história de Colusão está no novo livro de Donna B. A Crooked Hillary comprou o DNC & e roubou as Primárias dos Democratas do Crazy Bernie!”, aproveitando assim a deixa para desviar a atenção da investigação da interferência da Rússia nas eleições americanas, que, soube-se na Segunda-feira da semana passada, tinha produzido acusações no final de Outubro, a três pessoas envolvidas na campanha de Trump: Paul Manafort, Rick Gates, e George Papadouplos. Suspeita-se que Michael Flynn e respectivo filho estejam também na mira de Mueller.

No meio da avalanche vertiginosa de reviravoltas, há duas questões prementes: (1) poderá ser Donald Trump destituído; e (2) que partido está em maiores apuros: os Democratas ou os Republicanos. A resposta à primeira pergunta é “Não!” Independentemente do que se descobrir durante a investigação, não há vontade política dos Democratas em destituir Trump, mesmo que consigam maioria no Senado ou até na Câmara dos Representantes nas eleições do ano que vem, como afirmou Nancy Pelosi recentemente. A razão é simples: se Trump for destituído, Mike Pence, que é bastante conservador e agradará a muitos Republicanos,  tornar-se-á Presidente e será o candidate do GOP nas próximas eleições, aumentando a probabilidade de o GOP voltar a eleger um Presidente em 2020 e até em 2024.  Se Trump continuar Presidente, então será ele o próximo candidato republicano e continuará a semear discórdia dentro do GOP. Entre um candidato que une o partido e um que o enfraquece, os Democratas preferem o segundo.

No primeiro aniversário de ser eleito, a popularidade de Donald Trump é a menor de todos os Presidentes desde 1970, altura em que se começou a medir. Até agora, não conseguiu passar nenhum marco legislativo e muitas das suas iniciativas presidenciais têm sido bloqueadas pelos tribunais. O próximo teste será a reforma fiscal, que Paul Ryan, o porta-voz da Câmara dos Representantes, acha que conseguirá passar antes do Dia de Acção de Graças (23 de Novembro), mas até agora há bastante oposição dos próprios representates republicanos porque mexe em vacas sagradas, como a dedução de impostos locais e estatais no imposto de rendimento federal. O que se tem revelado é que há poucos sítios onde arranjar receita para financiar o corte de impostos prometido por Donald Trump.

Uma modificação que foi considerada e posta de parte por ser potencialmente muito pouco popular e ter o potencial de causar um pequeno abalo no mercado accionista foi a redução da dedução dos planos poupança-reforma, vulgo 401K, que é o principal veículo através do qual muitos americanos poupam para a reforma. Outra opção é a redução temporária de alguns impostos de forma a não pôr em causa a estabilidade orçamental de longo prazo, que é algo semelhante aos cortes temporários de impostos da Segurança Social promulgados por George W. Bush que, apesar de terem partido de uma situação orçamental bastante favorável, pois projectava-se um excedente na Segurança Social de várias décadas, esta deteriorou-se com o fraco crescimento da economia, apesar do estímulo fiscal. A actual expansão da economia Americana é a terceira mais longa da história e, para se tornar na segunda, precisa de durar até Maio de 2018; se continuar além de Julho de 2019, ultrapassará a duração da expansão de 1991-2001. É duvidoso que qualquer estímulo fiscal tenha o potencial de acelerar grandemente a economia, mas no curto prazo há algum “estímulo fiscal” acidental.

Depois da avalanche de catástrofes naturais que assolaram os EUA em 2016, será difícil quantificar a parte do crescimento que se deverá ao esforço de reconstrução, mas o seu custo irá cair parcialmente no orçamento federal. Por exemplo, o governador do Texas, Greg Abbott, pediu ao governo federal, no final de Outubro, mais $61 mil milhões para gastar em infraestrutura devido aos custos com o furacão Harvey, que se juntam aos $51 mil milhões que já foram prometidos. O total corresponde a sensivelmente 6,9% do PIB do Texas de 2016 (as últimas estimativas do U.S. Bureau of Economic Analysis indicam que, em 2016, o PIB do estado tenha sido de $1.617 mil milhões) e a 0.6% do PIB dos EUA em 2016 ($18.624 mil milhões em 2016). No entanto, crescimento devido a catástrofes não é um crescimento sustentável, pois os seus objectivos principaais são a restauração da riqueza que foi destruída e prevenção de futura destruição, e o seu financiamento usa recursos desviados de outras partes da economia ou dívida.

Um risco para os Republicanos são as modificações no Affordable Care Act, conhecido por Obamacare. A revista Time estimou, em Março de 2017, que 55% dos indivíduos que beneficiam de acesso a cuidados de saúde através deste programa estão em distritos representados por Republicanos na Câmara dos Representantes. Trump criou bastantes incertezas relativamente à manutenção do programa e à continuação de subsídios para os mais desfavorecidos – 80% dos participantes recebem subsídios – chegando a anunciar que iria deixar o Obamacare morrer por si próprio. Isto levou a que muitas seguradoras desistissem de participar no programa e as que ficaram aumentaram o preço dos seguros. No final, os subsídios acabaram por não ser eliminados, mas os efeitos desta incerteza sobre os preços já estão incorporados nos novos preços para 2018.

O período de inscrição no Obamacare começou em 1 de Novembro, mas este ano irá ser mais curto e terminará a 15 de Dezembro, quando tradicionalmente as pessoas tinham até 31 de Janeiro do ano seguinte para se inscrever. Alguns estados, como a Califórnia e Nova Iorque, tomaram a iniciativa de alongar o período de inscrição. Se os participantes não fizerem nada, ficarão inscritos no mesmo seguro que tinham antes, mas que poderá ser mais caro. Há três grupos de planos: Bronze, Prata, e Ouro. Os planos mais populares são os do grupo Prata, que cobrem mais coisas do que os de Bronze, mas menos do que os de Ouro, mas são mais caros do que os de Bronze e mais baratos do que os de Ouro. No entanto, com o efeito dos subsídios este ano (a qualificação para se receber subsídio varia de ano para ano porque está indexada ao valor limite da pobreza, que este ano é mais alto), pode haver planos Bronze e Ouro, que sejam mais baratos do que os de Prata. No geral, não se sabe muito bem como é que as pessoas irão reagir às mudanças; mas, se funcionar mal, Trump será culpado por não ter feito nada.

As próximas eleições presidenciais serão em Novembro de 2020; até lá, a probabilidade da economia americana enfraquecer ou entrar em recessão é bastante considerável e beneficiaria os Democratas irem a eleições contra um presidente republicano pouco popular especialmente se, entretanto, a economia se revelar  fraca. A única coisa que os Democratas precisam de fazer é ter um candidato que seja menos controverso do que Hillary Clinton e isso é quase certo, ou seja, para responder à segunda pergunta, comparados com os Republicanos, os Democratas não estão assim tão mal como parecem.