domingo, 17 de dezembro de 2017

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cheira a mofo!

Então deixem ver se percebo o que se passa em Portugal: os admiradores de Pedro Santana Lopes acham o Rui Rio má pessoa porque alguém lhe paga muito dinheiro; já o pessoal de Esquerda está incomodado com o fulano que denunciou as irregularidades da Raríssimas à Comunicação Social e com a sua publicação. Acho que há uma solução fácil para resolver ambos os problemas e que agradará a todos: restaure-se o Salazarismo. Ser pobre é virtuoso e liberdade de imprensa é condenável, logo derrube-se o governo, desenterre-se o Salazar, e nomeie-se o cadáver chefe do novo governo. Fica mais barato para o país e é mais honesto e agradável para todos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Guia de Natal

1. O que comprar
Chegámos ao Natal, a época de fazer compras. Como sou vossa amiguinha, vou-vos dar um conselho: não comprem porcaria. O mundo já está cheio de lixo, logo não sejam parte do problema; sejam parte da solução. Sejam selectivos nos materiais das coisas que compram e não comprem coisas que se acumulam em casa das pessoas. Eu gosto de dar livros, roupa, ou comida e tento limitar as minhas compras de coisas em plástico.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Carisma ou caramba

No duelo entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio para a liderança do PSD somos confrontados com uma falta de argumentos credíveis na defesa dos candidatos. Os que defendem Rui Rio acham que é boa pessoa e competente, mas contrapõem com o ele ter o hábito de dizer o que lhe vem à cabeça. Quem gosta de Pedro Santana Lopes acha-o muito carismático, uniria o partido, e ganharia facilmente a Rui Rio em debates, para além de que Rui Rio nem sempre alinha com o que algumas pessoas do PSD acham ser melhor para o PSD.

O grande ponto fraco de Pedro Santana Lopes é o facto de já ter sido líder do PSD e Primeiro-Ministro e durante essa prestação ao partido e ao país não exibiu capacidade de liderança que unificasse o partido ou o país; muito pelo contrário: abriu caminho para José Sócrates se tornar Primeiro-Ministro. Conclui-se que ideia de que defender Pedro Santana Lopes é defender o que é melhor para o partido e o país não é suportada por factos; é apenas mais uma manifestação do sebastianismo. Seria importante que o próximo líder do PSD conseguisse, pelo menos unir o partido, mas pela estratégia seguida -- especialmente nas redes sociais --, é duvidoso que tal aconteça.

Os adeptos de Pedro Santana Lopes comportam-se como se Rui Rio pertencesse ao PS, mas não pertence e não é comportável sequer pensar que podem continuar a dizer mal de Rui Rio se este ganhar a liderança, ou seja, ignoram que correm o risco de ter de comer do prato onde cuspiram, se querem que o PSD ganhe eleições. Isto não deveria ser novidade no PSD, porque a forma como Pedro Passos Coelho subiu ao poder foi semelhante. Por ser um underdog mesmo dentro do seu partido, a única maneira que o PSD chegou ao governo foi com a destruição das finanças do país. É um lugar comum dizer que a história se repete, mas normalmente não se repete tão rapidamente.

Tentar vender o carisma de Pedro Santana Lopes também não faz sentido, pois o líder político mais carismático que Portugal teve nos últimos tempos foi José Sócrates. Nesta altura, os portugueses deviam estar reticentes de líderes carismáticos, mas tradicionalmente o eleitorado do PSD não alinha muito com carisma: basta ver o trajecto de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Pedro Santana Lopes. Apesar de carismáticos, ambos conseguiram melhores resultados depois de se afastarem do PSD. Já Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho conseguiram navegar tanto o partido, como a vida política do país, apesar de serem pouco carismáticos.




Sweet Home, Alabama!

Goodbye, Mr. Moore!


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Reportagem 56


A procissão de n. snra. da b. c. e., evento milenar que todos os anos anima as ruas da vila de f., engalanadas a preceito e bem varridas, é hoje.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Est modus in rebus

Estudei Latim no Liceu (como Grego, também) e aprendi algumas das muitas frases que têm perdurado no tempo como expressão de sageza. Esta foi uma delas, e tenho-a como das mais avisadas. Sugere a moderação, de que nas coisas há sempre uma medida a ter em conta.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Commonplace books

Talvez o meu último post, com a citação de um dos aforismos de Richard Duppa, de um livro de 1830, vos tenha suscitado a pergunta de como o encontrei. A resposta é simples, mas tem uma história interessante: foi através de um "commonplace book", que comprei na minha última visita a Washington, D.C., quase há um ano. É verdade, já ando para vos falar disto há bastante tempo. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Spots in the sun

“When a bad man, high in authority and power, is less mischievous than he has been, he is accounted good. When he has been atrociously unjust and becomes successful, men have a happy way of reasoning about the compound character of man, and of comparing his vices to spots in the sun.”

~ Richard Duppa, “Maxims, Reflections, etc.”, p. 35, 1830

P.S. Este livro está disponível no Google Books e, para além de ser fácil de ler, vale a pena...

Excedente de conhecimento

Hoje estou um bocado febril, com a garganta de molho. Estou a pensar se não me fará mal queimar incenso, que fiz várias vezes esta semana, ou, se calhar, são as alergias sazonais; ainda por cima hoje choveu e sou alérgica a certos bolores.

A modos que não estou a 100% e talvez isto explique por que, quando li a citação do PM Costa no Observador, tenha entendido que ele teria dito que o país era composto por pessoas ignorantes, sem formação, nem educação. Disse ele: "O maior défice que temos não é o défice das finanças, é o que acumulamos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação, de ausência de preparação."

Algumas horas mais tarde, o meu cérebro voltou a ruminar o assunto e ocorreu-me que percebi ao contrário: uma pessoa que tem défice acumulado de ignorância tem um excedente de conhecimento, logo fiquei mais descansada, pois o país tem um povo que está muito bom e se recomenda. Talvez o PM Costa quisesse explicar futuros cortes na educação. Não vale a pena investir mais, dado o excedente de conhecimento, até porque diz ele que esta situação tem de ser corrigida o mais brevemente possível.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Quinta-feira

Ao final da tarde de Quinta-feira, encontrei-me com amigas para ir visitar uma exposição de arte na Nos Cave Vin, um local de armazenagem de colecções pessoais de vinho, que oferece serviço de concierge. Em exibição estava o trabalho de J. Antonio Farfan, um artista plástico de Houston. 

Gostei de algumas peças, quanto mais não seja por o artista rabiscar, em algumas delas, uma flor em forma de margarida, que é o que eu faço quando me apetece rabiscar, mas achei que a exposição tinha sido mal organizada: alguns dos quadros maiores estavam num corredor e não havia espaço para vermos as peças de várias distâncias; já as peças mais pequenas encontravam-se numa sala mais ampla. Acho que teria feito sentido ter sido ao contrário.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Há mais retas concorrentes que parelelas

Trabalhei em empresas do grupo SONAE de setembro de 1994 a novembro de 1995, no período que medeia entre o final da minha licenciatura e o ingresso na Universidade do Minho. Curiosamente, a única vez que interagi pessoalmente com o Eng.º Belmiro de Azevedo foi ainda antes de ter sido contratado, durante o Programa Contacto, o programa de recrutamento da SONAE que ainda hoje mantém. Na sessão da tarde, houve um momento em que os participantes, na sua maioria finalistas do ensino superior, podiam colocar questões diretamente ao líder do grupo. Um pouco a tremer, pedi a palavra e perguntei ao Eng.º Belmiro se ele pensava desenvolver projetos de investigação em colaboração com as universidades portuguesas. Se nos lembrarmos que na época a Universidade vivia de costas voltadas para as empresas, achei que a pergunta era pertinente. A resposta que obtive foi entre o seco e o desconcertante. Recordo-me de algo como “…a Universidade portuguesa tem muito que aprender com as empresas. Se dependesse de mim, os professores deveriam ser obrigados a deixarem os seus gabinetes e a trabalhar periodicamente em empresas…”.

Curiosamente, passados vinte e um anos de ter deixado a SONAE, iniciamos, em conjunto com as Universidades do Porto e de Aveiro, o projeto de investigação aplicada ATENA (Observatório da Educação), financiado pelo EDULOG, o “think tank” da Fundação Belmiro de Azevedo, direcionado para a área de Educação. Afinal, há mais retas concorrentes que parelelas!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Mal de Pierres

Ontem vi o filme "Mal de Pierres", uma adaptação do romance de Milena Agus. O enredo é um estudo sobre como o amor, que contrasta o aspecto carnal -- a loucura da paixão -- com o aspecto platónico. No filme, acompanhamos a vida de Gabrielle, uma jovem francesa muito fulgorosa que tem tendência para se apaixonar como nos livros. Aliás, as suas duas paixões são por homens que lêem: o primeiro é um professor, que lhe oferece "Wuthering Heights", de Emily Brontë, como parte da sua educação, mas que ela confunde com uma declaração tácita de amor; o segundo, um tenente do exército francês, que lhe oferece um outro livro em cuja primeira folha se encontra inscrito o seu nome, André Sauvage, e morada.

Entre estas duas paixões, entra o marido, José, que foi convencido pela mãe de Gabrielle a se casar com ela, para poupar mais vergonhas à família. José é um homem simples e trabalhador, pedreiro de profissão, e que acha Gabrielle bela. Somos levados a crer que Gabrielle é bela fisicamente e é isso que agrada a José, até porque Gabrielle é interpretada por Marion Cotillard. Mas lá para o final do filme percebemos que há outra beleza que Gabrielle tem para José e que amar Gabrielle significa deixá-la ser como é, ser paciente, numa paciência que roça a humilhação. Talvez amar alguém signifique conhecer a pessoa melhor do que ela se conhece a si mesma.

Mais não conto para não vos estragar o filme, se decidirem ver. Aviso-vos já que o filme é lento e longo.

domingo, 26 de novembro de 2017

Demérito!

"O principal ponto positivo destes dois anos de governação foi a redução do défice público, contra todas as expectativas, incluindo as minhas, reconheço. A manutenção da estabilidade política da Geringonça exigia uma quadratura do círculo que António Costa e Mário Centeno conseguiram manter, à custa de más opções económicas e orçamentais e de uma conjuntura absolutamente favorável, externa e do turismo, que disfarça muita coisa e esconde outro tanto."

~ António Costa, no Eco

Não acho defensável que se continue a falar na redução de défice como um mérito de governação quando, neste momento, sabemos que esta foi conseguida à custa de cativações e de redução da despesa em áreas como: equipamento médico, protecção civil, alimentação em escolas e prisões, etc. O argumento do mérito tem de ser inválido porque, se não o é, então estamos a dizer ao governo que continue a cortar em todas estas áreas porque esses cortes são um ponto positivo. Note-se que não estamos a falar de gorduras, estamos a falar em serviços essenciais, que o governo achou por bem descurar.

Ninguém corta as pernas para perder peso; se alguém o fizesse, não seria elogios que receberia, mas um atestado de loucura.